02/02/2010

Le Coeur de Paris

Coração, sexo e coxas
E facil compartir a imagem do río Sena e aquela duma coluna vertebral. De pronto, “l’île de la Cité” o seja a Ilha da Cidade, pasa facilmente a ter o papel de coração principalmente ao lembrar a marca historica do lugar.
Foi assentamento do primer tribo celta, os Parisii, o centro administrativo da “Città Romane”, o decorum das bodas reales como aquela famosa do Henri IV cuando declarou que “Paris, sí vale uma misa”.
Embora, para o André Breton, a ponta da ilha com as árvores do “Square do Vert-Galant” corresponde a visão voluptuosa do Monte de Venus da cidade, de acordo com o que reportam Frédéric Lewino e Lamia Oualalou, na sua guía literaria da capital francesa - Paris à Livre Ouvert, Ed. Autrement, 2003, p. 19 - : « C’est à ne pouvoir s’y méprendre, le sexe de Paris qui se dessine sous les ombrages ». A partir dessa metáfora terminam eles imaginando as pernas do monstro « Quittons sur la pointe des pieds, Breton et Nadja blottis dans les cuisses de la Seine pour une petite incursion rive gauche », algo como « Deixemos na ponta dos pés, Breton e Nadja, enroscados nas pernas do río ».
Será então melhor preferir a versão do cantor Charles Trenet para quém o coraçao de Paris e a França?

Le Cœur de Paris
Charles Trenet, 1952

Le cœur de Paris, c’est une fleur /
O coração de Paris, é uma flor
Une fleur d’amour si jolie /
Uma flor de amor tão bonita
Que l’on garde dans son cœur /
Para guardar no seu coração
Que l’on aime pour la vie /
Para amar-a toda a vida
Le Cœur de Paris, c’est une romance /
O coração de Paris, é um romance
Qui parle du soleil ou d’la pluie /
Que fala do sol o da chuva
On croit qu’elle finit mais elle recommence /
Achamos que va terminar mais volve a nascer
Le cœur de Paris, c’est la France /
O coração de Paris é a França

Src : Frédéric Lewino et Lamia Oualalou, Paris à Livre Ouvert, Ed. Autrement, 2003, p. 323